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O som dos tiros de escopeta ecoavam pela rua. De dentro do posto de polícia o sobrevivente olhava pela janela do segundo andar, mais com curiosidade do que preocupação, a luta pela vida que ocorria. O homem ainda não estava cercado, mas o barulho dos disparos atraía cada vez mais dos desmortos. O desgraçado vinha na direção do posto de polícia. Isso não era nada bom. O sobrevivente abriu um pouco a janela e, com a fuzil, fez mira naquele que era o único ainda vivo naquela rua inteira, agora apinhada de corpos que moviam-se com dificuldade, mas com propósito inabalável: sem medo, sem cansaço, sem nenhum outro objetivo que atrapalhasse, ou criasse dúvida, em sua ação para apaziguar uma das mais básicas necessidades fisiológicas: alimentar-se. Entretanto, tais criaturas não tinham mais processos biológicos compreendidos pela ciência. O que faziam era somente algo diabólico, impulsionado exclusivamente pela ânsia de predador. E a fome deles nunca diminuía.

Um tiro e ele teria menos problemas. Mas não apertou o gatilho. Vigiou pela mira por um longo momento, porém algo o impediu de eliminar aquela pessoa. Optou por atirar no zumbi que estava mais próximo do outro sobrevivente. Deu mais um tiro antes de fechar a janela e descer correndo pelas escadas. Saltou por sobre um balcão e alcançou em mais alguns passos a porta da frente. Era uma pena que aquele local estivesse comprometido agora. Teria de manter no nomadismo e procurar outro local. Não importava tanto: o que havia ali de relevante, ele já pegara. Viu que o outro se aproximava rápido, então abriu a porta, gritou para que ele pulasse para dentro, no que foi obedecido, e deu um tiro no desmorto mais ligeiro que os demais. “Não hoje”, falou para o zumbi.

Fechou a porta com um pontapé e trancou-a. Enquanto o outro sobrevivente, ofegante e assustado, levantava-se, tremendo pelo esforço realizado, ele girou a arma e, com um golpe seco, bateu com a coronha do fuzil no lado direito do rosto do outro. O outro praticamente desmontou, caindo atordoado no chão. Aquele que golpeou, sem nenhum pudor, começou a revistar o sobrevivente caído e, com alguns puxões, pegou a mochila que o outro trazia às costas. Era aquilo que ele vira pela mira e que lhe interessara.

Os zumbis arranhavam e gemiam e, por pura pressão do peso que a horda deles exercia sobre a porta, esta estalava na moldura. Hora de partir. O sobrevivente caído tentou segurá-lo pela perna, implorando por ajuda. Algo na humanidade do que estava de pé mexeu-se – uma parte civilizada, deslocada neste novo mundo onde os mortos erguiam-se – e ele optou por dar o auxílio que se permitia: pegou a pistola do cinto, tirou todas as balas, menos uma. Afastou-se até uma distância segura e fez o movimento de jogar a arma até aquele caído, mas não o completou.

Precisava dele vivo quando os zumbis entrassem no local. Os mortos não se demoram por cadáveres. Ele disse para si que não havia uma escolha correta; sequer havia uma escolha. Então, saiu de lá correndo.

ZOMBIES!!! – O JOGO

Imagem por Surya

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