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Joe Sargent não estava tendo um bom dia; quando acordou ele previra isso, logo ao ver que acabara o café. No estacionamento viu que o pneu traseiro apareceu murcho. Isso não o surpreendeu, mas o exasperou mesmo assim. Todos precisavam ser trocados havia mais tempo do que ele se lembrava, mas isso custava dinheiro e gastar era algo que Joe não apreciava.

O dia estava ensolarado, algo que ele também desgostava. O sol fazia as pessoas quererem sair, vir para a praia, e isso significava mais passageiros. Ele tinha implicância com passageiros – ainda teria de encontrar um que suportasse. Não o irritava se ficassem em silêncio, no fundo do ônibus, mas alguns insistiam em sentar-se na frente e tentar tecer uma conversa sem sentido. Alguém, após vários resmungos e respostas ríspidas, perguntou para o Joe porque ele fazia aquele trabalho, se queria evitar as pessoas? Alguém tem de fazer, ele respondeu. Joe, na verdade, não sabia se alguém tinha mesmo que fazer. Entretanto, sua principal dúvida era se esse alguém tinha de ser ele. Joe achava que não, mas a realidade discordava.

Decidiu, após arrumar o pneu, que hoje seria seu dia de folga. Assim, levou o ônibus para as montanhas. Preferia o mar, porém deu uma chance para as montanhas o impressionar. No alto, a estrada era malfeita, estreita, contudo Joe tinha experiência no volante, então seguiu adiante. No alto, viu formas na montanha que, de longe, pareciam pedras cobertas por vegetação, mas, de perto, mostram-se formas geométricas perfeitas – cubos, principalmente, mas também triângulos, discos e grupos de hastes paralelas. Parecia haver entradas talhadas nas construções e, em uma delas, entre as sombras, Joe viu algo que não deveria existir. Uma coisa amorfa, inchada, de produzia partes de membros e olhos na mesma velocidade que os consumia.

Joe perdeu o controle do ônibus com o susto e o veículo saiu da estrada. O ônibus não caiu imediatamente, ficando preso pelo eixo ao solo rochoso, pendendo acima da ribanceira. Joe saiu devagar de seu assento e caminho em passos curtos, cautelosos, até a porta traseira do veículo. Quando a alcançou viu que esquecera a chave dela na ignição. Joe Sargent, instintivamente, bateu o pé no piso, reclamando da má sorte. O ônibus, então, perdeu o delicado equilíbrio e caiu.

Enquanto a terra se aproximava de modo inexorável, Joe pensou que, desde o princípio, ele sabia que aquele não seria um bom dia.
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