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Legendary: A Marvel Deck Building Game é um jogo que pouco inova. Vi ali coisas do Ascension: Deckbuilding Game e, claro, do Dominion. Para o DC Comics Deck-Building Game há várias similaridades, porém o desenvolvimento parece ter sido para paralelo. O esquema é o seguinte: todos começam com 4 cartas de tropas da Shield (1 de ataque) e 8 agentes da Shield (1 de recrutamento). Compra-se 6 cartas e com os valores de ataque combate-se os vilões e com o recrutamento, compra-se cartas do QG. Em cada jogo, um vilão principal (o mastermind) e um esquema (o plano maligno). O plano diz como a partida funcionará (quantas cartas de schemes, qual a condição de derrota para os heróis). No seu turno, o jogador começa revelando uma nova carta do baralho de vilões, daí revela, uma carta por vez, aplicando seus efeitos, e, após usar todas, pode recrutar e/ou combater vilões (na ordem que quiser). Pode-se usar quantos efeitos de cartas quiser-se, recrutar quantas cartas de herói quer-se (até, claro, o limite do valor de recrutamento) e derrotar quantos vilões for possível (não há limite de ações nem de compras, como no Dominion – uma similaridade ao funcionamento do DC Comics Deck-Building Game, onde o mesmo aplica-se). As cartas de heróis vão para a pilha de descarte, e os vilões vencidos ficam numa pilha separada (não entram no baralho do jogador, ficam separados até o final da partida, até a contagem dos pontos). (mais…)

Os passos no corredor são leves, cuidadosos, de alguém – ou algo – que avança com propósito. Deve ser somente uma impressão, mas ele podia jurar que o sangue que pingava do ferimento batia algo como um prego caindo numa folha de metal. A mão tremiam e estava pegajosa pelo suor misturado com o sangue, mas havia firmeza no modo como segurava a arma improvisada. Era incerto se a barra de aço faria algum dano nas criaturas, mas ela teria de ser o suficiente. O computador indicara que pelo menos dois membros de seu grupo haviam contraído a infecção dos parasitas.

Ainda não havia sinal do ninho, mas ele deveria estar perto. A atividade dos parasitas estava próximo de um frenesi, tornando-os imprevisíveis, perigosos além do usual. A luz que vinha pelo visor da porta de segurança foi bloqueada e a sala toda tornou-se ainda mais escura. Alguém tentava enxergar ali dentro. O homem ferido tremia em expectativa, esperando que a pessoa do outro lado não tivesse um cartão de acesso. Tal esperança foi destruída quando o zumbido eletrônico da tranca abrindo-se. As luzes ligaram-se de forma automática e o soldado ficou momentaneamente cegado, porém como estava agachado não foi visto até recuperar a visão.

Os passos do recém-chegado eram lentos. Quando sua sombra passou por cima do balcão o soldado levantou-se de pronto, apontando a barra de aço para aquele que, pouco tempo atrás, era seu colega, igualmente preso à essa missão suicidada nesta Estação de Pesquisa na orla do cosmos conhecido. Seria ele ainda?

“Calma, soldado”, disse o recém-chegado. “Estamos do mesmo lado.”

“Meu lado só tem espaço para um, e eu já o estou ocupando”, o soldado respondeu.

“Difícil sobreviver aqui sozinho”, afirmou o recém-chegado.

“Aqui são as companhias que andam matando”, retrucou o soldado.

Os dois se encararam. Havia algo de preocupante na tranquilidade do recém-chegado. Seria ele um deles agora? Um dos parasitas?

O sangue continuava pingando e antes do dia terminar, haveria ainda muito mais espalhado por essa estação maldita. Essa estação do pânico.
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