Posts com Tag ‘Jogo de cartas’

Diamonds – resenha

Publicado: 6 de dezembro de 2019 por Tiago Perretto em Resenha
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Como joga?

O funcionamento do Diamonds é parecido com o do Copas, só que cada naipe tem uma função que é ativada pela pessoa que ganhou o truque (jogou a carta mais alta do naipe inicial da mão) e também por todos aqueles que jogaram cartas que não eram do naipe da mão (como no Copas, só é permitido jogar carta de outro naipe, se a pessoa não tiver cartas do naipe inicial). O objetivo no jogo é acumular a maior quantidade de diamantes, pois estes valem pontos ao final da partida – 1 ponto se estiver no showroom, e 2 pontos se estiver no cofre. Os usos dos naipes são:

– Ouros: pega 1 diamante do banco e coloca em seu cofre;
– Copas: pega 1 diamante do banco e coloca em seu showroom;
– Espadas: pega 1 diamante de seu showroom e coloca em seu cofre;
– Paus: pega 1 diamante do showroom de outro jogador e coloca em seu showroom.

Sempre que um naipe que não é aquele iniciado no truque, a ativação ocorre imediatamente. Todos começam com 3 diamantes em seu showroom (assim, desde a 1a mão já há uso para as cartas de Espadas e Paus). (mais…)

Star Realms é um deck building que vem numa caixa pequenina (claro que não cabem as cartas com sleeves) e usa mecânicas bem similares a outras, como aquelas do Ascension: Deckbuilding Game e do Legendary: A Marvel Deck Building Game. Basicamente o esquema é o seguinte: cada jogador usa dinheiro (trade) para adquirir naves ou estações espaciais, e usa combate para atacar o outro. Naves são cartas de uso único que, uma vez usadas, seguem para o descarte. Estações espaciais, quando usadas, ficam na mesa, e em todos os turnos depois o jogador pode-se usar delas para seus efeitos – as bases podem, claro, ser atacadas pelo outro jogador (desse modo, ele não causa dano no outro, exceto caso tenha excesso em seu ataque, mas, ao menos, tira do outro jogador os benefícios das bases).
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Você desperta e olha em volta, zonza e sonolenta, assustada também quando percebe que estava deitada na grama cinzenta ao lado de um precipício. Do alto, na posição privilegiada que se encontra, você observa que o céu é róseo perto do horizonte em toda a volta, e de tonalidade azul-escuro até o negro como ônix, nos locais onde as nuvens de tempestade, rugindo trovões e lançando raios, não cobrem. Abaixo, dentro de um vale cercado por penhascos de alturas impossíveis, que parecem vivos devido ao bruxuleio das sombras, aninha-se um castelo, não, é mais uma fortaleza de bastiões instransponíveis em cima de um morro e cercado por centenas de muros e centenas de fossos de águas pútridas. Um relâmpago ilumina a escuridão do vale e você tapa sua boca com suas mãos para conter o grito.

Os penhascos não estão vivos, mas as sombras estão. Milhares, talvez milhares de milhares, que escorriam pelas frestas e deslizavam pelas fendas. Você as conhece, viu-as antes no Castelo de Qui Tever. Não eram sombras comuns: esticadas demais, com grandes mãos e pés que terminavam em garras e havia uma aura de malícia e malevolência que os envolvia que, você sabia, poderiam destroçar a mente das pessoas comuns. Sua fortuna era nunca

O chão do vale e mesmo além dele, cobrindo a planície sem-fim, estava apinhado de sombras que se moviam em ondas na direção do castelo-fortaleza, chocando-se com os muros e superando-os pela força dos números, como uma praga de insetos avançando sobre uma plantação. Um contingente de sombras tentava defender os muros, iniciando batalhas renhidas em incontáveis pontos. Aquelas que corriam pelas paredes escarpadas do penhasco saltavam em tal quantidade que pareciam uma cachoeira negra e translúcida: uma torrente de fúria que represa alguma poderia conter.

A cada instante as atacantes se aproximavam do castelo-fortaleza. Da torre de menagem saiu, em revoada, uma corrente contínua de corujas que, tantas eram, parecia unir o céu a terra, alcançado, com seu vôo, a tempestade de rosnava. Os baluartes, antes inexpugnáveis, foram superados. Porém, ali embaixo, uma figura, maior e mais concreta que a miríade de sombras a sua volta, ergueu nas mãos algo que refulgiu e assustou as sombras, afastando-as ao ponto de abrir um espaço naquela multidão.

Você sabe que é importante ver quem é esse indivíduo, entretanto a distância lhe previne de discernir com precisão. Estranhamente, enquanto você foca a sua visão a imagem parece se avizinhar, como se você estivesse voando naquela direção, porém sem sair do lugar. Ao ver quem é a figura coroada por si mesma, um horror gélido toma seu corpo e você não consegue segurar o grito.

A atenção daquele que agora tem a cabeça ornada pela coroa se volta para você. Não na sua direção, mas em você, enxergando-te como se estivesse ao lado dele. Você não ouve o que ele pronuncia quando abre a boca e aponta para sua pessoa, mas a ira na face dele não lhe dá margem para dúvidas sobre as intenções de seu comando.

As sombras uivam e guincham enquanto giram e correm para lhe pegar e despedaçar-te. Você tenta fugir, todavia seus pés afundam na grama, como se estivesse num lodaçal. Suor desce pela sua fronte devido à exaustão causada pelo esforço para escapar e, mesmo assim, as sombras gritam pelo seu sangue e saltam sobre você, que se encolhe chorando.
De olhos fechados você não viu quando um bico amarelo agarrou a sombra mais próxima de você e a partiu ao meio, nem o momento em que a grande asa negra de um melro-preto afastou as outras que estavam mais perto, lançando-as longe. Sentiu, no entanto, quando patas fortes, pegaram você e lhe retiraram do lodaçal. Beogram subiu, batendo vigorosamente as asas e, lá embaixo, berrando blasfêmias e ameaças, estava Hanter, com a cabeça coroada.

Você despertou para a realidade.

URBION – O JOGO

Geral:
Urbion é um jogo solitário (ou para dois jogadores) em que o objetivo é equilibrar, no mundo onírico, os Pesadelos (Incubi – negativo) e os Sonhos (Sognae – positivo), de forma que haja paz na Cidade dos Sonhos. Porém o Caos tentará, constantemente, por tudo a perder, promovendo o desequilíbrio, a dissensão e os conflitos de volta. Como líder da Cidade dos Sonhos é seu objetivo manter os distritos (e os Incubi e os Sognae) em harmonia.
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A Princesa lia, com suas emoções escondidas pelas sombras que a luz da vela tremeluzente não conseguia afastar. Era somente o início da noite, mas o dia fora escuro, as nuvens cinzas pendendo por sobre a cabeça de todos, ameaçando com uma chuva, promessa que só foi cumprida perto do final da tarde, porém cumprida foi com esmero: era uma tempestade como aquelas dos livros. E uma que fazia jus ao nome da cidade sobre a qual ela despencava. Em Tempest, há muito dos dias vinham sendo escuros, e nem todos por um motivo tão natural. A Princesa, ainda usando o vestido da tarde, acompanhava as linhas com palavras sussurradas, pois sentia que a voz tornava a mensagem mais real, mais próxima e calorosa.

“Para todo o sempre…”, proferiu. Então a porta de seu quarto foi aberta. Era a Condessa. A Princesa cobriu a carta com um pano e, de pronto, levantou-se para receber sua amiga. “Trouxe-me?”, perguntou, incapaz de se conter.

“Espere-me fechar a porta”, a Condessa alertou. Após fechá-la, voltou-se para a Princesa, mostrando um semblante entristecido. “Sim”, disse. “Está aqui.”

“Deixe-me ver, deixe-me!”, pediu a Princesa, como se fosse uma criança, o que não mais era, mas a vida no castelo não lhe proporcionara muito para que amadurecesse.

“Calma, querida”, a Condessa falou. “Foi trabalhoso trazê-la até aqui. Precisei usar daquele Barão grudento para passar pelo Príncipe. Seu irmão anda mais irritante que o normal, mas dei um jeito nele.”

“Não seja cruel, com ele, falando desse modo, e comigo, sem entregar a mensagem!”, retrucou a Princesa, sentando na cama de dossel, enquanto a Condessa servia-se de vinho e de uma tâmara.

“Calma, meu doce, preciso me recuperar de minhas provações”, riu-se a Condessa. Mas a risada foi curta, interrompida por passos pesados que aproximavam-se rápido pelo corredor. As passadas cessaram diante da porta do quarto da Princesa e, logo em seguida, houve uma batida leve na porta.

“Sim?”, questionou a Princesa.

“Sua Altez-“, a voz de mulher que vinha de fora foi cortada por um resmungo alto e, então, substituído por uma voz truculenta, rascante, uma que a Princesa conhecia tão bem quanto a dela própria.

“Ela é a minha filha, não preciso esperar fora da porta, não quando tem quem me espere”, falou o Rei, abrindo a porta sem se anunciar. A Princesa corou como um botão de rosa e a Condessa deu dois passos para trás antes de se ajoelhar. O Rei olhou para a filha e a Condessa. “Saia”, disse para a Condessa, que apenas meneou a cabeça e, ao sair, deu um breve olhar de soslaio para a Princesa, que mordia o lábio. O Rei avaliou a filha, que mantinha a cabeça abaixa em respeito.

“Está bom o suficiente”, o Rei falou. “Venha, tenho alguém para lhe apresentar.”

“Quem?”, a Princesa perguntou, com mais do que um toque de rebeldia na voz.

O Rei deu-lhe um olhar frio. Sem novas palavras ambos saíram do quarto para o corredor, onde uma das Damas de Companhia da Princesa aguardava, que fez uma mesura ao Rei e ficou para trás, para cuidar e preparar o quarto para a noite. A Princesa e o Rei seguiram pelo corredor até sumirem após a curva.

Lá fora a tempestade continuava a cair.

LOVE LETTER – O JOGO

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Imagem por W Eric Martin

 

O básico das regras:

A história já é conhecida: um grupo de anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho, com a ajuda de Gandalf, um mago viajante, e de Bilbo, um hobbit do Bolsão, querem ir até a Montanha Solitária, dominada pelo dragão Smaug, de forma a reaver a fortuna dos anões, particularmente o Coração da Montanha, a Pedra Arken. O caminho é apinhado de aventuras, envolvendo Trolls, aranhas, elfos, orcs entre outras criaturas e situações.

Muito bem, agora esqueça tudo isso, porque o jogo não usa realmente o tema. (mais…)

Tournay – resenha

Publicado: 24 de novembro de 2017 por Tiago Perretto em Resenha
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Olá!

Imagem por W Eric Martin

O básico das regras:

O tema está tão densamente envolvido no jogo que eu tive de olhar a descrição do Tournay na página do BGG para saber exatamente qual era o cenário. Ocorre que Tournay, uma cidade na gália belga às margens do rio Scheldt, foi atacada e destruída por normandos em 881. Agora, 30 anos depois, o povo retorna e inicia-se a reconstrução dela, preparando-a para um longo período de prosperidade, mesmo sob a constante ameaça de ataques.
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O homem de pé sobre a carroça usava um pano, estofado com ervas odoríficas nas dobras, envolta do rosto, deixando somente os olhos e os cabelos à vista. Era preciso tal máscara para lidar com o odor hediondo que havia ali. Nas tábuas já havia os líquidos que vazavam dos cadáveres em decomposição. Os dois cavaleiros mantinham distância, mas mesmo ali o cheiro de morte apodrecida alcançava e, por isso, as montarias estavam inquietas.

“Quantos mortos em batalha?”, perguntou o cavaleiro com a melhor armadura, cujo cavalo usava uma manta azul onde fora cosido o símbolo do peixe, o brasão daquele exército.

“Setenta e quatro, senhor”, respondeu o outro, de montaria menos ajaezada e vestindo roupas mais simples, certamente um vassalo do primeiro.

“Parecem mais”, comentou o nobre, em tom inexpressivo. Venciam, portanto as perdas tinham pouco significado.

“E são”, concordou o vassalo. “São duzentos e três mortos pela praga.”

O nobre torceu o canto da boca, desgostoso em ouvir aquela palavra. A praga; a doença que ceifava tanto nas valetas quanto nos castelos. “O Senhor nos proteja”, proferiu, fazendo o vassalo persignar-se em resposta.

“No acampamento é difícil isolar os doentes”, o vassalo explicou, apologético. “Muitos têm medo de morrer ou de piorarem se forem levados às tendas dos médicos. Então escondem as manchas e fogem para o mato quando as tripas virão água.”

“Mas ainda lutam, mesmo doentes?”

“Sim, meu lorde. Enquanto conseguem andar, lutam”, disse o vassalo.

“Então deixe estar”, o nobre ordenou. Ficou algum tempo olhando os trabalhados dos serviçais e viu que em outra carroça traziam dois barris. Lembrou-se do que ocorria e, por isso, puxou as rédeas do ginete, que respondeu de pronto ao movimento e foi para o lado. “Os outros lados estão tão afetados quanto nós?”

“Os Castelli, sim. Pior até”, informou o vassalo, também afastando-se ainda mais da vala onde os últimos corpos eram jogados. “Já os Pendragon parecem livres da doença, mas quase que se recusam a vir para o combate. Parece que esperam nós e os Castelli nos matemos antes de se envolverem.”

O nobre deu um sorriso maroto, sabendo que faria o mesmo se não tivesse sido levado à luta antes do desejado. Os trabalhadores despejaram o conteúdo dos barris – piche oleoso – por cima dos cadáveres despidos; perto dali, à meia distância da vala, uns outros, apoiados em suas pás, esperavam ao lado das sacas de cal. Uma faísca brilhou e logo a tocha de um dos serviçais chamejava. Ele ia jogá-la na vala quando um dos parceiros dele o impediu e apontou para o nobre, que observava a cena sem grande interessante, tendo seus pensamentos voltados para a batalha que ocorreria na manhã seguinte. Mesmo assim ele viu o gesto e deu um sinal de concordância. A tocha foi lançada e o piche virou fogo.

“Tão fácil”, murmurou o nobre, para ninguém em particular. O vassalo, estando ao lado, supôs, erroneamente, que era para ele. Por isso perguntou:

“O quê, meu lorde?”

“Livrar-se dos corpos”, explicou. “É mais difícil livrar-se da praga.”

O vassalo concordou antes dos dois partirem, a galope, para longe dali.

PLAGUE – O JOGO

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