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Yspahan – resenha

Publicado: 2 de agosto de 2019 por Tiago Perretto em Resenha
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“A cidade esta repleta de sons e odores. O barulho das vozes, muitas vozes, conversando, anunciando, pedindo, regateando, rogando, está entremeada pelos cheiros de páprica, romãs, incenso, mirra, almíscar, entre outros. O mercado brilhava com as porcelanas coloridas e inúmeras peças de vidro que refletiam a luz do sol naquela manhã. Por todo lado estavam os tapetes, feitos em padrões intrincados, de qualidade ímpar e, cada um, único. Porém, o maior movimento, como usual, ocorria em torno das lojas de comida e, ainda mais, naquelas muitas que vendiam a seda advinda dos cantos do império e da China.

Uma cáfila de onze passava seguindo o guia obedientemente, cruzando a praça como uma faca corta o tecido. O condutor berrava, anunciando a partida da caravana com destino à Índia. A partida da caravana seria o grande evento daquele dia, e seria acompanhada por centenas, talvez milhares, que em conjunto sonharão com as riquezas e paisagens exóticas que esperam os viajantes na terra distante para a qual se encaminham. Não é uma estrada sem perigo, mas, para os que ficam, isso apenas aumenta o feito e a atração exercida neles pela estrada ondulante e, aparentemente, sem fim.

No entanto, mesmo com a ida da caravana, a cidade em nada diminuiu, pois para cada um que sai, dois novos chegam, vindos da Arábia, Síria, Petra, Paquistão e um milhar de outras cidades, regiões e nações, pois esta é Yspahan, a joia do mundo, a capital do Império Persa.”

YSPAHAN – O JOGO

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O barulho ritmado dos martelos era música aos ouvidos do supervisor da pedreira. Os trabalhadores e escravos talhavam a pedra e, depois, moviam os blocos, ainda toscos, para que fossem moldados em retângulos, antes de serem transportados até a muralha. O muro subia lentamente, mas incessantemente fazia vários anos. Somente a sessão próxima da pedreira estava em obras há doze anos e, pela previsão dos construtores, permaneceria assim por mais pelo menos cinco. A parede de rocha, argamassa e cascalho subia além da altura de três homens altos e deveria chegar a cinco antes de estar finalizada.

Ao longe, como uma cobra preguiçosa, esticando-se ao sol, uma outra parte da muralha aproximava-se. O trabalho era tanto vertical quanto horizontal, pois esta deveria ser a Grande Muralha, estendendo-se para além da visão dos pássaros e protegendo todo o povo contra ataques e invasões.

O clima havia sido generoso e a colheita foi abundante, então a fome ficaria afastada naquele ano, mesmo quando o frio chegasse. Porém havia sinais de doença, que já ceifara vários e muito mais, mas ali quase na sentiram – o mal ficara nas cidades e vilas maiores, ali os trabalhadores foram proibidos de ir para as vilas e os escravos não tinham escolha. Ainda assim, o avanço era dolorosamente lento. Havia, entretanto, boatos de quem uma nova cidade cairia sob o manto da expansão do povo servia para animá-lo: isso significaria mais braços, livres ou não, para o serviço na marulha.

– Quem sabe em três anos, daí – sonhou o supervisor. Queria ver aquele trecho terminado e, quanto antes aquilo ocorresse, mais teria chance, pois o mundo era cruel e ele já não era um rapaz.

Assim ele sonhava, ao som dos martelos na pedra.

ROLL THROUGH THE AGES: THE BRONZE AGE – O JOGO

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