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A Princesa lia, com suas emoções escondidas pelas sombras que a luz da vela tremeluzente não conseguia afastar. Era somente o início da noite, mas o dia fora escuro, as nuvens cinzas pendendo por sobre a cabeça de todos, ameaçando com uma chuva, promessa que só foi cumprida perto do final da tarde, porém cumprida foi com esmero: era uma tempestade como aquelas dos livros. E uma que fazia jus ao nome da cidade sobre a qual ela despencava. Em Tempest, há muito dos dias vinham sendo escuros, e nem todos por um motivo tão natural. A Princesa, ainda usando o vestido da tarde, acompanhava as linhas com palavras sussurradas, pois sentia que a voz tornava a mensagem mais real, mais próxima e calorosa.

“Para todo o sempre…”, proferiu. Então a porta de seu quarto foi aberta. Era a Condessa. A Princesa cobriu a carta com um pano e, de pronto, levantou-se para receber sua amiga. “Trouxe-me?”, perguntou, incapaz de se conter.

“Espere-me fechar a porta”, a Condessa alertou. Após fechá-la, voltou-se para a Princesa, mostrando um semblante entristecido. “Sim”, disse. “Está aqui.”

“Deixe-me ver, deixe-me!”, pediu a Princesa, como se fosse uma criança, o que não mais era, mas a vida no castelo não lhe proporcionara muito para que amadurecesse.

“Calma, querida”, a Condessa falou. “Foi trabalhoso trazê-la até aqui. Precisei usar daquele Barão grudento para passar pelo Príncipe. Seu irmão anda mais irritante que o normal, mas dei um jeito nele.”

“Não seja cruel, com ele, falando desse modo, e comigo, sem entregar a mensagem!”, retrucou a Princesa, sentando na cama de dossel, enquanto a Condessa servia-se de vinho e de uma tâmara.

“Calma, meu doce, preciso me recuperar de minhas provações”, riu-se a Condessa. Mas a risada foi curta, interrompida por passos pesados que aproximavam-se rápido pelo corredor. As passadas cessaram diante da porta do quarto da Princesa e, logo em seguida, houve uma batida leve na porta.

“Sim?”, questionou a Princesa.

“Sua Altez-“, a voz de mulher que vinha de fora foi cortada por um resmungo alto e, então, substituído por uma voz truculenta, rascante, uma que a Princesa conhecia tão bem quanto a dela própria.

“Ela é a minha filha, não preciso esperar fora da porta, não quando tem quem me espere”, falou o Rei, abrindo a porta sem se anunciar. A Princesa corou como um botão de rosa e a Condessa deu dois passos para trás antes de se ajoelhar. O Rei olhou para a filha e a Condessa. “Saia”, disse para a Condessa, que apenas meneou a cabeça e, ao sair, deu um breve olhar de soslaio para a Princesa, que mordia o lábio. O Rei avaliou a filha, que mantinha a cabeça abaixa em respeito.

“Está bom o suficiente”, o Rei falou. “Venha, tenho alguém para lhe apresentar.”

“Quem?”, a Princesa perguntou, com mais do que um toque de rebeldia na voz.

O Rei deu-lhe um olhar frio. Sem novas palavras ambos saíram do quarto para o corredor, onde uma das Damas de Companhia da Princesa aguardava, que fez uma mesura ao Rei e ficou para trás, para cuidar e preparar o quarto para a noite. A Princesa e o Rei seguiram pelo corredor até sumirem após a curva.

Lá fora a tempestade continuava a cair.

LOVE LETTER – O JOGO

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Mascarade – Resenha

Publicado: 11 de junho de 2014 por Alexandre Trentini em Resenha
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Mascarade é um jogo projetado por Bruno Faidutti em 2013. É um jogo simples de blefe que tem como uma de suas maiores virtudes poder ser jogado de 2 a 13 jogadores, o que o caracteriza bem como um jogo de festas.

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